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Filho da Mãe: “Ser músico a tempo inteiro, para um gajo como eu, já é sonho suficiente”

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Filho da Mãe: “Ser músico a tempo inteiro, para um gajo como eu, já é sonho suficiente”

A propósito do Magafest, festival a acontecer amanhã, dia 5 de setembro, na Casa Independente, proporcionou-se uma agradável conversa de café com um dos maiores guitarristas da nossa geração. Rui Carvalho, mais conhecido por Filho da Mãe, falou-nos um pouco da sua vida musical e aguçou-nos a curiosidade sobre um novo álbum que já está na calha. Toca amanhã no Magafest e algum material inédito já poderá ser ouvido…

Já há alguns anos sozinho na guitarra, continuas a alimentar esta solidão musical com o mesmo carinho?

Sim. Durante bastantes anos foi até a única maneira que eu tinha de tocar, não tinha bandas,  portanto não tocava com pessoas. Este último ano passei-o a tocar com mais pessoas e a fazer mais colaborações.

Com o Tó Trips e não só.

Com o Tó Trips, com o Ricardinho, com o Norberto umas vezes,já tinha feito umas coisas com o Jonas, um amigo meu, também toquei com o Óscar, Jibóia, este ano…E continuo a sentir falta da banda, porque o registo de banda é muito diferente de tocar sozinho, a maneira de fazer e compor as coisas é diferente, mas estou habituadíssimo, claro. Mas gosto dessa solidão, gosto.

E não tens saudades do barulho, da confusão e do mosh?

Tenho alguma, tenho alguma…

E preenches esse lado como espectador?

Por acaso não tenho visto muita coisa, este ano foi complicado a esse nível, não foi tanto por aí… Eu agora, aquilo que ando a fazer com o Ricardinho, já é um bocado mais próximo disso, embora não seja propriamente do mosh. O Ricardo é o baterista de Lobster, uma banda incrível, e tem vários outros projectos. E aí já há mais uma interacção tipo banda, não deixa de ser um diálogo. Uma banda não é bem um diálogo, é uma coisa construída de forma diferente, como eu fazia com If Lucy Fell, pelo menos. Tenho um bocadinho de saudades, pode ser que um dia…

Haja uma reunião?

Uma reunião ou outra coisa qualquer. Pode ser uma reunião, pode ser uma banda…

Agora impera o silêncio nos teus concertos (ou assim deveria ser pelo menos). Já encontraste algum sítio favorito ou qual seria o local ideal para este projecto?

Eu por acaso sou bastante versátil nos sitios em que dou concertos. Eu tanto toco em espaços mais próprios do rock, como toco sítios com um bocadinho mais de cerimónia, como um teatro ou uma coisa assim qualquer, onde o silêncio é forçado pelo próprio ambiente. E depois há outros sítios onde é difícil forçar o silêncio, mas também não deixa de ser uma coisa engraçada tentar fazer isso. Eu gostei, pelo menos no Cabeça, gostei do ambiente teatro, daquele peso… Porque aquilo tinha coisas mais down e esse momento de silêncio, que pesa um bocadinho, agrada-me. E isso é fácil de conseguir num teatro. Gostei com o Cabeça, com o próximo disco não sei bem, mas gosto do teatro, coisa que em banda não gostava, porque era exactamente o contrário, era o sítio onde as pessoas se sentiam restringidas. Com Filho da Mãe é diferente, consegues despertar sensações de diferentes maneiras. Gosto sempre de tocar, mas nos últimos dois anos os concertos que tenho mais na memória foram em teatros, ou auditórios, como o Passos Manuel.

E agora,sobre o Magafest, já tinhas participado em alguma Magassession ou algum evento da Inês Magalhães?

Não. Eu trabalho na Casa Independente, tenho lá um espaço onde costumo ensaiar, conheço-as bem mas nunca toquei na Casa Independente sequer, vai ser a primeira vez!

E tens preparada alguma coisa especial?

Os concertos são sempre especiais, e há sempre improvisos, há sempre coisas… inéditas, sim, tenho coisas inéditas para fazer.

Então, por isso mesmo, há mais um álbum a caminho? Andas a cozinhar alguma coisa nova?

Sim, estou a fazer o próximo.

E já podemos saber alguma coisa sobre ele?

Ainda não há muito a saber sobre ele. Ainda agora estava a discutir isso com o Fua, da Lovers and Lollipops, não sei ainda muito bem onde é que o gravo, porque ele já está encaminhado, as coisas já estão prontas, é só editar… Mas está para breve. Em princípio, a sair sai em 2016. Este meu ano foi dedicado a outras coisas.

E o registo vai ser o mesmo?

Tenho notado, nalgumas músicas, que há um registo um bocadinho mais feliz, menos típico em mim, acho, mas não sei muito bem como é que ele sai. Porque já com o último pensei que ia sair uma coisa, e quando cheguei lá foi outra. Portanto acho que fica para a altura.

E achas que a tua nova faceta de pai teve alguma coisa a ver com isso?

Talvez. Eu não queria que tivesse, não faço tenção nenhuma que uma coisa mexa com a outra, nem o disco para já tem a ver com isso, mas quer dizer: tudo influencia. Todas as experiências, ao longo de um ano, ou dois anos, influenciam uma pessoa por isso o disco vai ser sempre o somatório dessas coisas.

E há alguma coisa que tu saibas, com a tua certeza musical, que te falta fazer?

Eish, faltam-me fazer tantas. Nem é preciso pensar nisso e responder afirmativamente porque de certeza que faltam fazer muitas. Ser músico a tempo inteiro, para um gajo como eu, que fazia aquilo que fazia, já é sonho suficiente. Mantê-lo já é difícil o suficiente. Continuar a explorar as coisas, elas são tão óbvias, porque há tantas coisas a fazer que continuar a fazer coisas diferentes não é difícil. Há tanta gente com quem tocar, há tanto tipo de projectos a nível de vídeo, arte, escrita, colaborações que ainda não fiz, concertos lá fora que quero fazer, está tudo em aberto. Quero continuar a fazer música e quero continuar só a fazer música.


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