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Jimmy P: «Este álbum foi acontecendo»

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Jimmy P: «Este álbum foi acontecendo»

Jimmy P lançou no início deste mês o álbum «#1», que promete ser o primeiro de uma série de álbuns a editar uma vez por ano, na mesma altura. Falámos com o músico numa altura em que o seu single «O que vai ser» roda com frequência, e Jimmy revela a importância da família na música, e os desejos para um sucesso sustentado, sem deslumbres.

MYWAY: Estás a lançar o teu álbum #1, que junta uma série de influências e estilos musicais. Foi fácil manter o álbum coerente, tendo essas influências todas?

Jimmy P: Foi difícil manter a coerência porque este álbum foi acontecendo. Eu não fui para o estúdio e pensei: vou fazer um álbum a partir de agora. O álbum tem uma construção de sensivelmente nove meses e durante esses nove meses houve muitos intervenientes, desde produtores, a músicos que fizeram arranjos, aos convidados. Foi uma coisa que foi acontecendo de forma mais ou menos natural. Embora todas as influências estejam bem presentes, nada aconteceu propositadamente, tudo foi acontecendo. Tens temas que são muito distintos dos outros, há uns mais acústicos, outros mais digitais, tens uns com ritmos mais quentes, podes encontrar um pouco de tudo e consegues encontrar todas essas influências que no fundo definem a música que eu faço.

MYWAY: O álbum representa, então, tudo o que foste vivendo?

Jimmy P: Sim, definitivamente. Eu tive a sorte de poder viver em vários sítios, tanto aqui em Portugal como fora, e grande parte da minha construção fez-se quando eu vivi em Paris, porque eu passei lá parte da minha adolescência e da minha infância. Foi lá que me defini como pessoa, e foi lá que comecei a definir o meu gosto musical pessoal, através da minha família. Como boa família angolana, a música sempre fez parte do nosso quotidiano. Houve todas essas influências que absorvi através da minha família, no fundo tudo o que é música tradicional dos PALOP, e depois enquanto adolescente comecei a definir os meus gostos e a procurar as coisas que mais me interessavam. Quando eu vivi em Paris houve definitivamente um grupo e uma artista que me marcaram, que foram os Fugees e a Lauryn Hill.

O meu pai era futebolista e em todo o lado onde ele passou tivemos contacto com as famílias dos colegas dele, e tivemos em contacto com pessoas de uma infinidade de países distintos. Quando tu convives com pessoas de toda a parte do mundo, isso acaba por te dar uma abertura de espírito maior perante a diferença e perante as coisas que tu não conheces.

MYWAY: A família e os amigos são muito importantes na tua música?

Jimmy P: Uma coisa que eu sempre cultivei foi precisamente o factor família na música. Por um motivo muito simples: eu vivo longe dos meus pais há 12 anos, portanto a minha família são os meus amigos. No Porto não tenho família praticamente nenhuma, portanto a minha família são as pessoas que me rodeiam. Para além de serem meus amigos, são as pessoas que trabalham comigo, que me ajudam a concretizar este sonho. Esse conceito de família cresce de dentro para fora, porque depois acaba por contagiar um bocado todas as pessoas que estão à volta e obviamente o público que me acompanha e que me segue. Isso também acaba por se reflectir na construção da música, porque há um núcleo duro com quem eu trabalho dentro desta família, que são dois produtores e os restantes artistas que trabalham ao abrigo do meu selo, que é a «story tellers», e depois há as outras pessoas que eu acabo por considerar família, que são artistas que eu respeito há muito tempo e fiz questão que estivessem neste disco, que são o Bezegol e o Valete.

MYWAY: Não te vês a trabalhar de outra forma, numa editora major, por exemplo?

Jimmy P: Vejo-me perfeitamente a trabalhar numa editora «major» desde que tenha liberdade. A guerra entre os artistas independentes e a editora é encontrares o equilíbrio para a editora fazer as coisas que quer e a editora ceder nesse sentido. Portanto, de momento, para mim só faz sentido fazer as coisas assim, daí eu ter decidido fazer este álbum de forma totalmente independente..

MYWAY: O single «O que vai ser» está a ter um grande sucesso. Qual é que é o sentimento de ter um sucesso destes depois de dez anos a trabalhar na música?

Jimmy P: É gratificante, mas também não vejo isto como nada definitivo. Vejo mais como um bom começo e uma coisa para alimentar e para continuar. Acho que isso também acontece devido a esta dinâmica trabalho que temos, de fazer tudo em casa. Este single ilustra bem isso, porque fomos nós que fizemos tudo, até que chegou uma altura que despejámos tudo na Internet. O tema até teve menos promoção que outros anteriores, e percebemos que o alcance era maior do que das outras músicas todas que eu fiz até agora, fez aí 120 mil visualizações em 24 horas ou assim, e foi algo que nunca aconteceu com um tema meu. A partir daí, as pessoas começaram a perceber que havia qualquer coisa que estava a acontecer e inevitavelmente as rádios vieram atrás, começaram a pedir para passar e tudo mais, e as coisas começaram a acontecer com naturalidade. A ideia é continuar a alimentar isto para ter um crescimento auto-sustentável.

MYWAY: Li que vais tentar lançar um álbum a cada dia 9 de Dezembro, um por ano, como é que surgiu esse conceito?

Jimmy P: Sinceramente? Isto não são álbuns conceptuais, vão acontecendo, como foi o caso do primeiro. Acredito que os próximos vão acontecer exactamente da mesma forma, com outros convidados, provavelmente com outros músicos, e com produtores novos também, mas são coisas que se vão fazendo. Uma vez mais, não somos uma editora major, não temos milhares para nos podermos fechar em estúdio meses a fio e decidir que vamos produzir um álbum. A lógica dos # é fazer uma sequência de álbuns e criar uma base estável para daqui a três, quatro anos, eu poder estar em estúdio com os meus produtores e aí sim estar em estúdio quatro, ou cinco meses com os meus produtores e desenvolver um álbum todo pensado numa óptica conceptual, ao contrário do que está a acontecer com estes álbuns.

É também uma maneira de estar sempre em contacto com o público, porque hoje em dia há uma infinidade de artistas a fazer música, e com a Internet a selecção é mais difícil, porquehá muita informação para digerir. Isto é também uma forma de nos tentarmos destacarmos dos outros artistas do mesmo mercado que nós, com quem estamos a competir directamente e também dar algo mais às pessoas, além de músicas na Internet, e videoclips, músicas a passar na rádio. Acho que o factor álbum é importante para estabelecer um vínculo com o público, coisa que muita gente não faz.

MYWAY: O que é que podemos esperar dos concertos?

Jimmy P: Eu recomendo, muito sinceramente, que vejam um live nosso com banda. O meu live vive muito da energia. Por todo o lado onde fomos temos sido muito bem recebidos, e o concerto vive muito da energia que vem do público, então os lives têm sido espectaculares. Acima de tudo há alegria em palco, e é isso que tentamos passar para as pessoas. Acho que no momento que o país está a viver, já há demasiadas pessoas a falar de coisas más. Tentamos que a música seja revigorante para as pessoas, para combater este mau momento. Há muita energia positiva e o pessoal diverte-se sempre imenso.


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